
Na história dos Três Mosqueteiros o lema é “um por todos, todos por um”, mas no EC Vitória existe uma versão moderna deste clássico da literatura em que o lema é altamente individualista e bem brasileiro: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. A diretoria do Vitória segue pagando o preço de tratar jogador como aquela bela menina (ou mulher) que se quer namorar, com uma gentileza de encher os olhos de lágrima, com aquele cuidado e cheio de meiguice. Só que, assim como a maioria das mulheres, que quando são muito paparicadas faz o cara de otário, os jogadores fazem com a nossa diretoria.
Aqui os jogadores (os mesmos, diga-se de passagem), já derrubaram dois diretores de futebol e vários treinadores. Só este ano foram Mauro Fernandes e Carpegiani. É só o cara falar ou fazer algo que eles não gostem que o complozinho de colégio assume a cara na Toca do Leão. Só que nossa diretoria ou é muito encantada ou finge que não vê nada disso. Entretanto, os personagens da vez são os “craques” Apodi, Roger e Leandro Domingues.
O camisa 2 já xingou a torcida mandando tomar naquele lugar no jogo de ida contra o Botafogo, no Barradão, quando fez o gol da vitória nos acréscimos. É um marrento de primeira qualidade depois que conseguiu algum prestígio dentro do clube depois das temporadas 2006 e 2007. Aquele Apodi tímido e risonho de 2006, por lá ficou. Agora ele se acha estrela, craque e que não pode perder a vaga de titular. O pití dele em jogar no chão o colete dos reservas mostra o quanto este cidadão “é de grupo”.
O camisa 23, por mais que tenha aumentado o número de gols feitos nos últimos dois campeonatos brasileiros da primeira divisão, continua sendo o mesmo limitado de sempre, em que para fazer um tem que perder 7. Chega aqui depois de ser praticamente expulso do Fluminense; e nos primeiros jogos em que perde a posição inventa uma viagem à São Paulo, faz exames médicos na Ponte Preta em que o resultado alega lesão, que nos exames do Leão não foram constatados. O que é isso, Roger? O bom caráter mandou lembranças!
O camisa 17 é considerado craque por aqueles que não sabem o peso desta palavra, que são carentes de verdadeiros ídolos e que não acompanharam ou não lembram de Petkovic, do próprio Ramon, Mário Sérgio, Osny, Adoílson. Isso pegando apenas exemplos do EC Vitória. Se ampliarmos mais, olha só: Zico, Pelé, Platini, Zidane, Maradona. (Tá bom aí eu peguei pesado, fui nos megacraques).

Os jogadores aprontam porque a direção não age
Reconheço que Leandro Domingues é um jogador de qualidade diferenciada, mas a sua irregularidade, falta de competência nos times do eixo, além do desinteresse em ser efetivo com mais frequência prejudica bastante a sua carreira. Por isso que para mim, ele é um jogador médio e que se continuar com a mesma maneira de pensar e agir, será assim até pendurar as chuteiras.
Enquanto Leandro Domingues ficar fugindo dos jogos quando sabe que está sendo negociado, por estar mais preocupado na temporada posterior do que na corrente, ele sempre será um jogadorzinho mal visto não só por mim, mas até por dirigentes mais sérios do nosso futebol. Ele já fez isso contra o Criciúma na Série C quando foi escalado à pulso e por isso forçou a expulsão com 10 minutos de jogo, lá no Heriberto Hulse. Eu não esqueço não, viu LD.
A verdade é que estes três são os grandes migueleiros do Leão nestas últimas semanas. Apodi e Leandro Domingues devem seguir para o Osasuña, série B espanhola, a partir de 2010, e já estão mangueando o ambiente. O engraçado, como Larissa citou brilhantemente no blog do ge.com, que Apodi declarou recentemente que não ia mais jogar no Leão e quando vai treinar entre os reservas se aborrece. Como é maluquete, este cara!
Roger jogando pedra em santo, perdendo gols que até o Saci Pererê aproveitaria, irritando a torcida, prejudicando o clube e quer seguir como titular? Pode uma porra dessa? Quer ser titular, jogue bola, não perca tantos gols idiotas como vem perdendo seguidamente. Que coisa feia, Roger. Tanto jogador ficou sentado no banco vendo suas merdas calado e quando você fica 3 jogos “de molho”, já quer botar banca?
Mas a culpa disso tudo não é só dos jogadores não. Digo que a maior parte disso é da própria diretoria, que não tem pulso. Que não sabe ser duro com os caras. Jogadores e treinadores são tratados como reis e rainhas, príncipes e princesas, como belas donzelas a serem cortejadas e aí os caras dominam a parada. E quando isso acontece, no primeiro reboliço a chapa esquenta legal.
O goleiro Viáfara assumiu que o ambiente não está bem e claro que não podia estar. Pois quando um cara da base faz merda a diretoria pune com multa pecuniária, mas quando o jogador é um dos queridinhos (Leandrinho), se passa a mão na cabeça, e piora tudo quando o presidente do clube fala numa rádio que 80% do atual elenco será dispensado com o campeonato rolando e que acha normal a atitude de Apodi no coletivo de anteontem.
Se o seu chefe falar publicamente que 80% da sua equipe será desfeita em 2 meses, você sua a camisa ou deixa a merda feder legal? Falta um intenso trabalho de media trainning aos dirigentes do Leão, falam muitas coisas que não deveriam na imprensa, sendo eles mesmos os causadores dos rachas dos jogadores. É neste momento que eu sinto falta da figura de Paulo Carneiro, que até junho de 2004, não comia reggae de ninguém e fazia os jogadores darem o máximo de si e respeitar o Vitória. Com PC, até 2004, não existia esta balbúrdia que se vê no clube todo ano.
Só para salientar, não quero PC de volta ao Vitória nem pra limpar privada. Apenas acho que em certos momentos, o uso da truculência, de chacoalhar o ambiente por parte do presidente do clube é necessário, para mostrar que a hierarquia começa com o presidente do clube e não com meia dúzia de jogadores que se acham os donos do mundo.
























