Profissionalismo Gerencial e a busca constante por bater metas fazem qualquer clube crescer

chapecoense2016

Fundado em 1973 e sendo brilhantemente dirigido de maneira profissional e empresarial com estabelecimentos de metas no curto, médio e a longo prazo desde 2009, a Associação Chapecoense de Futebol começa a colher os frutos deste alicerce administrativo imposto e continuado. Na noite de ontem (26/10), a equipe catarinense se classificou para a Semifinal da Copa Sulamericana, competição que dá direito à disputa da Libertadores ao seu campeão e que tem como outro grande atrativo as premiações fase-a-fase. A Arena Condá contou com a presença de 13 mil torcedores que festejaram e apoiaram o seu time como qualquer grande torcida faz, evidenciando assim, o nítido crescimento do clube não só no cenário de Santa Catarina como a níveis nacional e internacional. O placar de 3×0 sobre o Junior Barranquila, da Colômbia, foi conseguido por gols de Thiego, Ananias e Gil. Todos estes passaram, sem brilho, na dupla Ba-Vi, e é aí a ponte que eu faço para a produção deste post.

A Chapecoense não tem nem metade da torcida de Bahia e Vitória, não tem apelo midiático, nem mesmo o poder financeiro de nossos dois maiores clubes do estado (estendo também aos maiores times de Pernambuco e Ceará), por conta disso não pode contar com jogadores de renome, de salários altos, como é comum ver em Bahia, Vitória, Sport, Ceará, Náutico, Santa Cruz…Pelo contrário, os elencos da Chape são formados por rejeitados dos maiores clubes do sul, sudeste e até mesmo do Nordeste. A prova está aí no atual time titular da Chapecoense e nos gols históricos que garantiram a classificação inédita de um time catarinense à semifinal de competição internacional oficial. O clube alviverde está na elite do brasileirão desde 2014 e consegue se manter sem grandes sustos, sem fazer campanhas vergonhosas como as nossas recentes.

Então faço a pergunta: Por que eles podem, permanecer na Série A sem risco de rebaixamento por três anos e o Vitória que tem mais dinheiro, mais fama, mais torcida não pode? Por que eles podem chegar nas fases decisivas de competições internacionais e nosso clube sempre fracassar na rodada nacional e nos dois anos que foi à fase internacional foi eliminado sem ameaçar nem River Plate (Uruguai) nem Atlético Nacional (Colômbia)?

Torcida da Chapecoense faz festa digna de clube grande antes, durante e após classificação na Sulamericana.

Torcida da Chapecoense faz festa digna de clube grande antes, durante e após classificação na Sulamericana.

Eu mesmo aponto onde reside a resposta – Lá em Chapecó, mesmo sendo uma cidade de interior, de pouco apelo turístico e sem grandes chamarizes para jogadores se interessarem em atuar por lá, o clube é gerido de forma responsável, profissional, sem falsas promessas aos jogadores, contratos cumpridos à risca e o mais importante: Não é por ser considerado time pequeno, que não há cobrança por resultados. Percebe-se isso quando vimos que jogadores notadamente de baladas e de pouco envolvimento quando atuam nos times nordestinos, jogam pela Chapecoense com mais disposição, raça, vontade, foco e seriedade.

Creio que isso se dá pela forma PROFISSIONAL/EMPRESARIAL que a diretoria da Chapecoense trata seus jogadores, com o estabelecimento de metas a cada temporada e acompanhando-as durante o ano, diferente dos times daqui que fingem se profissionalizar com engodos de “Setor de Inteligência”, “Planejamento Estratégico para os próximos 10 anos” e cargos de gestor e diretor de futebol cedidos a “baluartes” do eixo sul-sudeste como Marcos Teixeira, Anderson Barros, Paulo Angione, Chumbinho, etc, quando na verdade estes “setores” e “profissionais” não têm carta branca e ficam engessados à visão curta e sem ambição dos Presidentes de Bahia e Vitória.

É inaceitável, é vergonhoso e deprimente ver Bahia e Vitória (agora falo como amante do futebol e não apenas com a visão de rubro-negro doente) no eterno reme-reme de brigar para subir da Série B para a Série A sem conquistar o título, se contentando em subir nas coxas em quarto lugar e quando chegam na Primeira Divisão só disputam contra o rebaixamento, sendo sparring dos times do sul-sudeste, à medida que vemos equipes da porte da Chapecoense alcançando melhores resultados, com muito menos recursos e maiores dificuldades.

img_8451_c9tyuj9

Para encerrar, tenho a certeza absoluta que todo tricolor e todo torcedor rubro-negro não queria ter o elenco atual da Chapecoense, mas queria ter a entrega, a dedicação, a raça e principalmente, o profissionalismo e a vontade de crescer dos dirigentes daquele clube. Até meados de 2013 ninguém conhecia a Chapecoense, hoje, três anos depois, estamos vendo esta equipe crescendo passo a passo no cenário e está muito perto de chegar a uma final de Sulamericana, com boas chances de título, e não precisou para isso de jogadores veteranos e famosos, nem apresentações imitando o que se é feito na Europa, e sim de um elenco limitado, comum, mas que foi incentivado a dar o melhor de si para elevar o nome da equipe catarinense.

Tanto o idoso Raimundo Viana, quanto o jovem Marcelo Sant’Anna, não são presidentes capazes de elevar o nível das duas maiores forças futebolísticas da Bahia. Faltam a eles o profissionalismo, a capacidade administrativa, a garra e a vontade em querer orgulhar seus torcedores. À eles bastam apenas o “status quo” em dirigir importantes clubes de futebol do Estado, a proximidade com fornecedores e patrocinadores esportivos e a infeliz acomodação de que só o campeonato baiano vale a pena.

PS: Aposto que lá em CHAPECÓ não existe esta onda errada de forçar associação de torcedor. Lá prevalece o que acontece em todo o mundo, a diretoria consegue aumento de torcida e de associados através de bons trabalhos que refletem nos resultados em campo, e não achacando o torcedor com preços exorbitantes de ingressos avulsos, para este ser forçado a se associar ao clube.

Anúncios

29 respostas em “Profissionalismo Gerencial e a busca constante por bater metas fazem qualquer clube crescer

  1. Ainda há esperança mais o Vitoria pede mais que todos para cair,só Marinho salva esse time medíocre que joga sem vontade o Carlos miguè Diogo e Diego vá para PQP é Kilerdeza só o comparo a Néo e Rubão(quem tem menos de 40 não vai lembrar ) como as piores contratações de todos os tempos.
    Mudar tudo já ,direção esse quatro citados a cima nem deveriam jogar mais com a nossa camisa .
    Mas somos torcedores e só nós resta ter fé.
    Seremos Vitória ate morrer assim diz o hino.

  2. É por textos assim que torço para que você mantenha este espaço mesmo com o time dando eternas brochadas. Se com espaços críticos como esse o ECV está a ver navios, não quero nem imaginar o que poderia acontecer se estas figura críticas, como você, resolverem abandonar o barco.
    Juntos somos mais fortes, Fabio! Siga o trabalho e estaremos contigo.

    Abs!

  3. Excelente post.

    De fato, o principal problema do Vitória não é receita, mas sim, falta de objetivos claros.

    Com um orçamento mais modesto do que o nosso, a Chapecoense a alguns anos tem conseguido destaque razoável.

    Não só.

    Até 1990, o CAP era um clube equivalente ao Vitória.

    Hoje, eles possuem outra realidade.

    No entanto, gostaria de ressaltar que tem uma coisa no rival que esta melhor que o nosso clube.

    O Estatuto. a democracia representativa com eleição para presidente e composição do conselho conforme a votação obtida não é modelo gerencial perfeito, mas é o mais adequado.

    Concordo com Leandro qdo aborda que Salvador tem uma “atmosfera” de descontração para atletas.

    Mas, se o clube se respeita e define metas, o jogador se compromete.

    Então, para que se esforçar.

    Se não fosse assim, os cariocas teriam a mesma sina que nós.

    O time é fraco e será rebaixado.

    A frase de Raimundo Viana no sentido de que o Internacional não deveria ser rebaixado é deplorável.

  4. Agora que chegamos a reta final, já podemos fazer uma avaliação conclusiva da equipe: É fraca, mas teve lampejos e enfrentou de igual para igual e até com superioridade equipes tidas como candidatas ao título, quando a equipe foi corretamente armada com base nas suas deficiências.

    E quando foi isso? Quando a equipe jogou com três zagueiros, com o terceiro zagueiro e dois volantes cobrindo os fraquíssimos laterais.

    Isto evitaria a maior parte das derrotas por 1 X 0, 2 X 1 que foi a tônica da equipe neste campeonato, sem falar aquele desastre que foi contra o Santa Cruz e as pixotadas individuais.

    Agora, se estatisticamente, isto foi óbvio, porque os treinadores, especialmente Mancini (que viveu seus melhores momentos no 3,5,2) a equipe de inteligência, não optaram por jogar a maior parte das vezes assim?

    Apego à concepções prévias de estratégias da moda, quatro, dois três, um, e por aí vai.

    Agora mesmo, acabo de ler que David Luiz e Dante, a dupla do desastre do 7 X 1, está sendo elogiada na Europa por terem mudado de posicionamento e, pasmem, darem estabilidade à suas equipes, respectivamente, Chelsea e Nice. Davi Luiz, como terceiro zagueiro, o mesmo com Dante.

    A vaca foi pro brejo e com ela as nossas esperanças de alegrias e respeito.

    Consolemo-nos com os discursos de que no ano que vem o Vitória voltará para o lugar do qual nunca deveria ter saído. Qual é este lugar? Respondam voces.

  5. Me lembro q Caio Jr, qdo passou aqui pelo Vitória, fez o q quis, resolveu não valorizar a Sulamericana colocando time mixto, e lá em Chapecó, coloca time principal para jogar quarta e domingo, nas duas competições!
    É como você citou Fábio, a diferença é a Gestão, a forma como se coloca metas e as cobra.

    Estou morrendo de inveja dos torcedores da Chape!

    Enquanto isso, nosso presidente quer blindar do rebaixamento os times dito grandes do Sul! Absurdo!

    Acho que quando o Vitória perde um jogo, os jogadores devem chegar tranquilamente no Clube, todo mundo rindo, sem cobrança e comentando do dia massa que tiveram! Tão nem aí !

    Triste Vitória!😞

  6. Na minha opinião o melhor texto que você já publicou. É triste ver o futebol do Nordeste sendo engolido por times do segundo escalão do Sul. Parabéns

  7. Parabéns Fábio! Excelente texto.O nosso futebol é retrato da inércia, falta de foco, pensamento pequeno e provinciano. Utilizam a máquina “bahia” e “vitória” apenas em benefício próprio.

    Parabens!

  8. Só não pode virar um São Caetano da vida que tomou chá de sumiço.
    Mas são exemplos que não precisa ter um time caro para ter conquistas.

  9. A minha opinião é que tudo começa com o “meio cultural”. Aqui em Salvador, percebo desde a minha infância, que o povo baiano tem “pânico” de coisas novas e modernas. Lembro de quando eu lia revistas de heróis japoneses, ouvia dance music e rock. Todos a minha volta, sistematicamente achavam que eu era maluco, na escola os colegas que conversavam comigo dava pra contar em uma das mãos. Todos presos a uma rotina “baianista”, de terra do sol, carnaval e desapego de tudo. Ora o que tudo isso tem a ver com futebol??

    Qualquer coisa e qualquer área da vida só pode haver conquistas e crescimento com pretenções. Sem pretenções e contemporizando tudo, a vida nunca muda. Sabendo que para afogar as mágoas, sempre haverá mais um carnaval, mas uma festa de camisa, ou festival de verão, nunca o incômodo pela rotina se desfaz.

    Vejam o exemplo DEPLORÁVEL (na minha opinião) do quadro “Jair e Vicentino” na rede Bahia:
    Dois torcedores que vivem apenas de alegrias da desgraça do outro. Nunca, eu digo nunca se vê algum dos dois enaltecendo algum feito importante de seus próprios clubes (porque nunca acontece). Apenas picuinhas bobas de torcedor de time fracassado alimenta o quadro do programa. Aliás é impressionante como a rede globo consegue colocar o fracasso como algo engraçado e “estimulante”. Fazendo parecer para o povo sem instrução que ser fracassado é algo bem legal. LIXO!!!!!!!!!!!!!!!!

    è justamente aí onde reside nossa inércia e conformismo que vem o sulista esperto e monta em cima da gente. Chapecó pode ser uma cidade pequena e sem atrativos turísticos, mas tem um povo que se move para a cidade e pelo bem da cidade. Diferente de nós que achamos que somos abençoados e “escolhidos” pelo mero fato de haver sol e praia, e que isso basta, e que tudo virá do nada como geração espontânea, como a terra que emana “leite e mel”.
    “TUDO JÁ ESTÁ PRONTO” , “quem vive aqui não precisa de mais nada na vida”. Eis onde está nosso problema: sem pretenções e prosa regionalista boba, os que tomam iniciativa lá fora colhem os frutos, e nós apenas vivemos de caricaturas sociais.

    p.s: A baía de todos os santos é a maior extensão litorânea do País, por que o preço do peixe é tão caro? porque não temos tecnologia de pesca. Japonês pesca com varas eletronicas acopladas aos barcos, numa velocidade incrível, o que barateia o preço do peixe, mas se formos propor isso aqui vão dizer: “oxe, que coisa de maluco, na bahia sempre se pescou de um jeito, agora querem mudar, isso á anticultural, e blá blá blá”. e nosso povo sempre pobre…

    • Parabéns! Compartilho de mesma opinião com relação aos costumes retrógrados e acomodados daqui da Bahia. Quando sempre vem coisa de fora daqui as pessoas simplesmente não assimilam nada, se fecham na tal cultura “abaianada” e aí toma ferro lá fora. Você fez uma boa relação aí, com o gostar de algo vindo de fora, como a música, a inovação e tudo mais. Quando uma banda grande internacional vem ao país sabem por que não vem para a Bahia tocar? Está bem óbvio isso! Vão para tudo que é estado, menos para a Bahia. Aqui é fechadíssimo, não dá público e não dá valor as coisas novas vindo de fora. E no nosso futebol é a mesma coisa, os clubes só mentalizam em jogar para não cair e se cair tentar subir. Quando conseguem uma vaga internacional numa Sul-Americana não valorizam isso, colocam time reserva e não dão valor. Coloco aí no bolo também a mídia daqui, que não objetiva cobrar o pensamento de querer o algo mais nas pretensões, e faz o torcedor se conformar em não valorizar o crescimento. Olha o nosso rival, fica falando em duas velhas estrelas e só fica nisso, não muda. Ser baiano hoje está associado a acomodação, infelizmente!

  10. Como eu gostaria que essas palavras fossem ditas ou chegassem de alguma forma aos “dirigentes” do Vitória.
    Parabéns Fábio, vc é muito melhor que alguns jornalistas que estão nas TVs daqui da Bahia.

    SRNS

  11. Só li verdades! Excelente texto! Faz refletir… Enquanto isso, nós, com jogadores de muito mais nome, estamos contabilizando 4 pênaltis perdidos em sequência!

    SRN

  12. Me peguei ontem morrendo de inveja da Chape e mais ainda de seu torcedor…

    Aí pensei: a que ponto chegamos.

    Obrigado, Chape! Obrigado por mostrar que essa eterna balela de orçamento menor e excluídos do nordeste não é justificativa final para campanhas medíocres e um clube sem qualquer ambição a nível nacional.

    Ninguém está falando em ser campeão da série A. Mas porra, não dá pra traçar uma meta simples: não correr riscos de rebaixamento? Depois, ficar entre os 10. Depois entre os 8 e assim vai indo? Não dá pra avançar na Copa do Brasil? Na sulamericana? Peraí, porra!

    O que está matando o Vitória e nossa torcida é essa escancarada falta de ambição.

    • Clube velho mais ainda amador em seu futebol iniciar uma competição sem um goleiro de confiança perdendo seu titular para o Figueirense

Deixe a sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s