O QUE ESTÁ POR TRÁS DA TENTATIVA DE AGE PELAS OPOSIÇÕES?

Recebi nos últimos dias, num grupo de whatsapp, o documento para colheita de assinaturas de sócio-torcedores do ECV para o chamamento de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com a intenção de antecipar as eleições gerais do clube (Conselhos Diretor, Fiscal e Deliberativo), programada pelo Estatuto para ser realizada na primeira quinzena de setembro de 2019. Uma AGE com tema tão importante deveria ser feita com uma denúncia forte, embasada e com muitos indícios de que há algum tipo de malfeito sendo feito no clube, principalmente no tocante a finanças.

Acontece que não há elementos, de fato, comprometedores em relação a desvio de verbas ou qualquer outro indício de corrupção e o próprio documento reconhece isso quando fala que mesmo à falta de materialidade da gestão temerária – expressão do presidente do Conselho Deliberativo – sobram exemplos, e as consequências se amontoam, do que bem pode ser chamado de gestão desastrosa”. Bem, à luz do estatuto, não existe a figura da Gestão Desastrosa e sim o da Gestão Temerária, o que é bem diferente e que tem seus critérios muito mais objetivos (corrupção, malversação do financeiro do clube, dilapidação do patrimônio, descumprir parte ou em todo o estatuto, assinar documentos, comprar ou vender bens que acarretem prejuízo ao clube e sem os ritos estatutários de consulta aos conselhos Fiscal e Deliberativo, etc).

O simples chamamento desta AGE visa tão somente antecipar a chance do mais forte grupo de oposição em chegar mais cedo ao comando do clube. A sua verdadeira motivação são os resultados pífios em campo do ano de 2018, quando o Vitória não ganhou uma competição sequer em sua categoria profissional, não venceu nenhum clássico, foi eliminado pelo Sampaio Correia na Copa do Nordeste e coroou o ano com o triste rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Só que para destituir um presidente é preciso comprovar que ele esteja cometendo algum ato administrativo ilícito e não por campanhas medíocres nas diversas competições esportivas. O Estatuto é claro quanto a isso. Querer trocar o presidente a cada campanha ruim ou derrota vergonhosa é transformar o maior cargo do clube numa espécie de “treinador de futebol” e que fatalmente deixará o clube numa instabilidade gerencial interminável. Faz parte da democracia, também, esperar o tempo certo para tentar voltar a comandar o clube e este tempo será em setembro de 2019. Por isso as perguntas que surgem são:

1) Por que essa pressa toda?

2) Por que este grupo que está tentando voltar ao comando do clube desde 2016 não pode esperar setembro de 2019? Será medo de morrer antes? Medo de alguma profecia apocalíptica?

3) Será medo de pegar o time em 2020 na Série C? Mas quem garante que seremos rebaixados da B pra C em 2019?

4) Ou será medo de uma improvável (mas não impossível) recuperação de Ricardo David com uma campanha forte na Série B, título baiano e copa do nordeste? Tal fato poderia sim, recolocar o atual presidente na briga. E apesar desta probabilidade ser muito pequena, não significa que já pode ser descartada, afinal ninguém sabe o dia de amanhã.

O curioso é que os idealizadores desta tentativa de AGE foram presidentes do clube e também tiveram vários dissabores no campo de jogo. Um deixou o time na Série C e o outro perdeu dois pentacampeonatos para times do interior e em casa, Colo-Colo (2006) e Bahia de Feira (2011), além de ter rebaixado o clube para a Série B em 2010. E nenhum deles foi “impitimado” na temporada seguinte. Ambos concluíram seus mandatos, se bem que Paulo Carneiro sofreu tanta pressão, que renunciou ao fim da temporada 2005. Mas ele já tinha sido rebaixado em 2004 e em 1991, seu primeiro ano como presidente do clube, pra quem não sabe.

Se for apresentado uma denúncia real e com embasamento de algum ato administrativo ilícito por parte de Ricardo David, aí sim teria meu apoio e eu poderia muito bem assinar numa boa. Entretanto, os motivos que eu identifico nesta petição são apenas políticos, oportunistas e que querem aproveitar o momento de raiva e frustração dos sócio-torcedores para aplicar um revanchismo político de baixo nível. Eu até estava levando a possibilidade de votar na chapa de PC nestas eleições de 2019, mas quando vejo uma atitude dessa, com ar golpista e com um odor forte de oportunismo, eu começo a recuar desta ideia.

E digo mais, se a atual diretoria tiver mesmo que sair, incluindo os Conselhos Fiscal e Deliberativo, que seja por uma INTERVENÇÃO. E que o interventor seja uma pessoa alheia às últimas disputas políticas do ECV, bem nos moldes do que aconteceu com o Bahia, quando o advogado Carlos Rátis foi nomeado interventor. Ele não fazia parte de nenhuma corrente política do rival e dizem até que nem tricolor era, passou a ser depois de ser sido interventor e pelo carinho que recebeu por parte da torcida rival.

Agora, por que não vejo essa hipótese de intervenção ser levantada pelos grupos de oposição? Vale ressaltar que para se ter uma INTERVENÇÃO no clube é preciso denúncias robustas de ato administrativo ilícito e/ou lesivo tanto às finanças quanto ao patrimônio material do clube. Também não se faz intervenção por perder título estadual, regional e rebaixamento. Frise-se.
O proposital esquecimento de uma tentativa de “intervenção” e da lembrança apenas de antecipação de eleições gerais só mostram que, de fato, eles tão pouco se lixando pelo resgate institucional do clube. A ideia é de apenas facilitar o retorno ao comando do Esporte Clube Vitória, já que neste exato momento não há nenhuma outra chapa (ou candidato) que possa lhe atrapalhar. Se fosse feita uma eleição agora, a chapa Vitória Gigante ganharia sem dificuldades. Agora, uma improvável recuperação de RD, com conquistas estaduais e regionais, além duma campanha forte na Série B pode sim inviabilizar a terceira tentativa de quem quer retornar ao clube. E também, de janeiro a agosto podem surgir chapas que possam brigar voto a voto com o grupo VG. Talvez esteja aí o motivo por trás dessa tentativa de AGE.
Abre o olho, torcedor!
VITÓRIA SEMPRE!